Nos dias 7 e 8 de junho realizou-se, em Cascais, a Innovathon – Ocean Edition, uma maratona tecnológica em torno de desafios associados à implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, a partir dos quais se desenvolvem novos produtos e serviços para a sustentabilidade dos oceanos.
Durante 24 horas, 120 estudantes universitários de 32 cursos diferentes desenvolveram ideias inovadoras, com elevado potencial de concretização em quatro eixos temáticos: redução de lixo marinho, preservação de ecossistemas marinhos; aquacultura offshore e sustentabilidade do transporte marítimo.
O Álvaro Silva, ex-aluno do Colégio Luso-Francês, e atualmente a estudar Engenharia Eletrotécnica e de Computadores na FEUP, participou na Innovathon com o tema ‘Contentor Inteligente’, dentro do eixo LIXO MARINHO.
A satisfação não se restringe ao belíssimo 4º lugar que o Álvaro e a sua equipa conquistaram; é motivador ver como os projetos desenvolvidos em MIP no 12º ano ajudaram a construir consciências.
Convém recordar que o Álvaro abraçou em MIP o projeto ECOFilt, centrado na criação de um filtro para retenção de microfibras em máquinas de lavar domésticas.
A poluição marinha por microplásticos tem sido, aliás, um dos eixos estruturantes dos projetos de MIP, com inúmeras representações nacionais e internacionais, das quais se destacam Espanha (Barcelona, 2014; Viladecans, 2015; Algeciras, 2016), Suécia (Gotemburgo, 2014), Irlanda (Belfast, 2016), República Dominicana (Puerto Plata, 2016), Suíça (Tschierv, vale Müstair, 2015), Hungria (Debrecen, 2017) e EUA (Miami, 2016).
Os prémios acumulados de uma forma consistente revelam-se um excelente indicador de novos conhecimentos no domínio técnico-científico.
Mas MIP ultrapassa largamente esta competência.
A experiência real de ter que ser preparado um suporte escrito, sob múltiplas formas (artigo, relatório, poster, brochura, cartão de visita, sítio de internet, logotipo) para uma comunicação oral eficaz, perante diferentes especialistas, em diferentes línguas, obriga-nos a gerir emoções, a construir vocabulário e a clarificar ideias, separando o essencial do acessório.
A participação do Álvaro na Innovathon – Ocean Edition revela um impacto muitíssimo interessante e, muitas vezes, difícil de mensurar nos projetos educativos: a dimensão comportamental.
Após três anos de um envolvimento intenso na investigação sobre poluição marinha por microplásticos, eis que o tema foi o escolhido pela equipa de jovens universitários para ser trabalhado na maratona promovida pelo CEiiA Collision Ground.
De uma amostragem exploratória na praia de Matosinhos, em 2013, com o projeto BLUE B-DEBRIS FREE chegou-se às microfibras (maior percentagem de microplásticos inventariados).
As microfibras conduziram-nos, em 2015, aos filtros para máquinas de lavar domésticas com o projeto ECOFILT.
A Isabel Silva, irmã do Álvaro, não deixou a investigação parar e, em 2018, das máquinas de lavar domésticas redirecionou a investigação para as ETARs. Criou, assim, o projeto WWTPLASTIC – Waste Water Treatment Plastic – cujo reconhecimento a levou, novamente, aos EUA (NASA, Washinghton DC).
Projeto trabalha, efetivamente, múltiplas dimensões de uma forma aplicada, contextualizada e interdisciplinar, que extravasa as paredes da escola.
Em casa do Álvaro e da Isabel viveu-se, certamente, cada etapa superada de uma forma emotiva.
Que o Oceano continue a merecer novos projetos rumo à Sustentabilidade.
Parabéns Álvaro.

[fotografias: CEiiA Collision Ground]