Seis alunos do 12.º ano do Colégio Luso-Francês – André Assunção, António Pereira, Francisco Dias, Francisco Sousa, José Duarte e Margarida Pereira – marcaram presença na Final Nacional da Competição CanSat Portugal, realizada em Santa Maria, nos Açores, de 26 a 29 de abril. O CanSat Portugal é um projeto educativo do ESERO Portugal, organizado pela Ciência Viva e pela Agência Espacial Europeia [ESA]. A iniciativa desafia alunos do ensino secundário de todo o país a projetar e construir um modelo funcional de um microssatélite [CanSat] cujos sistemas base [antena, bateria e sensores] terão de estar integrados num volume equivalente ao de uma lata de refrigerante.
O LusoX tinha como missão rastrear a baixa troposfera na procura de microplásticos, pequenos fragmentos plásticos com dimensões tão reduzidas que permitem a sua inalação. Após um ano de pesquisa intensa sobre métodos, solução de embebimento, porosidade e material adequado para filtragem e, mais importante, sobre a localização dos filtros no pequeno CanSat, eis que chega o momento final para lançamento, a 1km de altitude, através de uma aeronave, do LusoX dos jovens cientistas aeroespaciais.
Verificações técnicas concluídas, ground-station checked, computador preparado para rececionar dados em tempo real, paraquedas finalizado, transformado em amostrador de partículas, tudo pronto para o ‘Ok’ final quando a placa Arduino do LusoX decide parar a transmissão. O ambiente sereno, imprimido pela Margarida, a jovem física do grupo, apaixonada pela literatura, dá lugar a um vaivém de fios, sensores, solda, multímetros, canivetes e baterias, tentando eliminar, etapa por etapa, o que poderia estar a causar o erro do LusoX.
«LusoX! LusoX, é agora ou não voa», ouvia-se ao longe, dentro do hangar provisório montado na antiga pista de karts de Vila do Porto.
Gráficos de Gantt, check-lists e tantos relatórios de processo serviram, aqui, para impor objetividade e, numa decisão coordenada, apostou-se todo o esforço numa missão secundária bem sucedida. E foi fantástica!
Lançado a 850m de altitude, sob a voz de comando do piloto Rui Pacheco, o LusoX conseguiu capturar, em 120 segundos, 635,50 partículas [valor médio], sendo que, destas, as microfibras plásticas corresponderam a aproximadamente 25 partículas/m3. Se pensarmos que os valores de referência para microfibras atmosféricas varia entre 0,8-1,5 microfibras/m3, utilizando métodos de amostragem convencionais, microssatélites como o LusoX parecem equipamenos promissores no rastreamento de partículas em suspensão. Estes resultados foram tão surpreendentes como animadores e a equipa não poderia dar por concluída a sua missão.
O laboratório do Colégio voltou a ser palco de experimentação e o LusoX terá a sua placa substituída por um novo Arduino e…aeródromo de Vilar do Pinheiro, aqui vamos nós! Daremos novidades em breve!
Um agradecimento muito especial ao júri do concurso, pela sua incansável ajuda e profissionalismo para com todas as equipas, nomeadamente ao Professor Manuel Paiva [Universidade Livre de Bruxelas], à Doutora Ana Noronha [Agência Nacional Ciência Viva], ao Professor Rui Agostinho [Observatório Astronómico de Lisboa], ao Engenheiro Eduardo Ferreira [NAVE], ao Engenheiro Ricardo Conde [Edisoft], ao Professor Duarte Cota [ENTA]. Deixámos ainda um profundo agradecimento ao Senhor Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, e ao Senhor Diretor Regional da Ciência e Tecnologia, Bruno Pacheco, pela forma acolhedora com que Santa Maria nos recebeu. À maravilhosa equipa organizadora do CanSat Portugal Cristina Fernandes, Adelina Machado, João Dias, Vitor Fernandes, André Santos, EXPOLAB, um muito obrigada.
Por fim, não podíamos deixar de aceitar o simpático desafio lançado pelo Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor: teremos imensa honra em recebê-lo na nossa escola e apresentar os projetos de C&T que desenvolvemos em MIP. Ao Senhor Ministro, um enorme obrigada pela partilha de ideias e pelo incentivo em ‘rastrear’ céus cada vez mais longe!

 

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